Review: “BLACK STAR” de Amaarae

“BLACK STAR” de Amaarae
Gênero: Pop / Hip-hop / Funk / EDM
Gravadora: Interscope Records
Data de lançamento: 8 de agosto de 2025

Em “BLACK STAR”, Amaarae embarca numa eterna madrugada quente na festa que referencia a música negra de forma tão explosiva que desnorteia as vezes.

No último dia 8 de agosto, a artista ganesa-americana Amaarae lançou seu terceiro álbum de estúdio intitulado “BLACK STAR”, após o criticamente abraçado “Fountain Baby” (2023) (álbum este que foi listado como um dos melhores discos de 2023 em nossa lista de final de ano).

“BLACK STAR” vai na contramão de “Fountain Baby”, onde tivemos um disco majoritariamente R&B com elementos pop e afrobeat. Desta vez, ela optou por seguir o caminho do pop, hip-hop, um dancehall noturno caloroso e abafante e em alguns momentos até utilizando instrumentais sintetizados do funk brasileiro. Além de Amaarae, junta-se à produção do disco os produtores El Guincho, Kyu Steed e Bnyx.

A produção do disco pode soar em alguns momentos poluída e confusa, apesar de estar bem mixada e tudo no volume certo. Os elementos do pop e dancehall são quase completamente sintetizados, com bastante ausência de instrumentos crus e naturais. Tudo por aqui soa muito sintético, produzido integralmente dentro de um ambiente controlado com uma mesa de produção extensa onde os instrumentos reais (guitarra, bateria, teclado e etc) ficam em segundo plano.

Apesar da crítica, é evidente que a proposta do álbum é justamente essa, de tudo estar muito bem afinado pelo software de edição sonora sem espaço para instrumentos reais, que, sabemos que possuem suas limitações (como desgaste de teclas, cordas e falta de percepção sonora de quem o manuseia). 

Diferente do disco anterior, Amaarae narra neste terceiro álbum de estúdio uma experiência de autoestima que você pode considerar arrogante ou empoderante, a depender do ponto de vista, como em “ms60” (colaboração com a modelo e atriz britânica Naomi Campbell) e “Stuck Up”. Além disso, há momentos em que ela relata situações pela sua perspectiva de pessoa gênero fluida abrangendo sua sexualidade como em “100DRUM” (colaboração com o rapper estadunidense Zacari) e “Dove Cameron” (referenciando a atriz estadunidense Dove Cameron), onde ela cita: “o que você faria? / se eu disse isso para você / pombas em um cupê / eles nem se comparam a você / quero dar uma volta contigo”.

O disco possui 13 faixas que perduram em uma escuta de 44 minutos. A duração do álbum não será um problema para você, nem muito curto, nem muito longo. Entretanto, o projeto pode soar linear após um tempo escutando, apesar de ser um disco flagrantemente pop e dançante. 

As colaborações possuem pouco protagonismo, exceto pela artista inglesa PinkPantheress, presente na faixa “Kiss Me Thru The Phone pt 2”. Além de Pink, estão no disco Bree Runway, Starkillers, Naomi Campbell, Charlie Wilson e Zacari e provavelmente você não deve notar a presença deles aqui e, se notar, logo esquecerá.

O funk brasileiro protagoniza mais que as colaborações, em faixas como “Stuck Up” e “Girlie-Pop!” (melhor faixa do disco). Faixas como “B2B”, “Kiss Me Thru The Phone pt 2” e “S.M.O.” também se destacam positivamente como trilhas que podem elevar a sua experiência de escuta.

Liricamente, o disco aborda de forma descontraída em clima de festa autoafirmação (especialmente no âmbito racial) e também retrata de maneira sutil, mas fácil de captar a sensitividade de alguém do mesmo gênero chamar sua atenção de forma sexual e apaixonante, porém, diante de tudo tão dançante, você nem notará do que se trata nas entrelinhas se não estiver com os ouvidos aguçados durante a festa.

Em “BLACK STAR”, Amaarae embarca numa eterna madrugada quente na festa que referencia a música negra de forma tão explosiva que desnorteia as vezes.

NOTA:

Escute “BLACK STAR” de Amaarae aqui:

Deixe um comentário