Review: “EQUILIBRIVM” de Anitta

“EQUILIBRIVM” de Anitta
Gênero: Funk / Samba / Reggae / Reggaeton / Pop / Percussivo afro-religioso
Gravadora: Floresta Records
Data de lançamento: 16 de abril de 2026

Uma escuta obrigatória: Anitta abandona o imediatismo pop e encontra uma identidade surpreendentemente coesa. “EQUILIBRIVM” é a rara virada artística de uma popstar que parecia presa à própria fórmula.

Nesta quinta-feira (16), Anitta lançou seu oitavo álbum de estúdio intitulado “EQUILIBRIVM”, sucessor do decepcionante “Funk Generation” (2024) e “Ensaios da Anitta” (2024). 

Desta vez, a cantora fluminense aposta numa dualidade qualitativa surpreendente que, após suas experiências ao embarcar na carreira internacional, parece ter a colocado nos trilhos da sobriedade artística. Ela aparenta (e está) muito mais sóbria, deixando de lado o desespero constante de se provar uma hitmaker visando apenas o próximo single viral.

Revisite a análise de “Funk Generation” sublinhada nesta resenha para entender nosso ponto de vista. Agora, ela acerta em cheio em quase todos os aspectos que se possa considerar por um artista que está na estrada da indústria há mais de uma década. 

A dualidade de “EQUILIBRIVM” é sutilmente espetacular, casando a proposta de introduzir a religião (socialmente recusada por grande parte da sociedade brasileira) de matriz africana e suas vertentes, assim como toda a cultura que o cerca com outros gêneros abraçados pela música popular brasileira. Anitta as introduz brilhantemente em meio a gêneros populares como samba, funk, reggae, rap, hip-hop e até o sofisticado jazz contemporâneo. 

Arriscamos dizer que este é o trabalho mais coerente de Anitta até o momento, de longe. Junta-se à ela na produção do disco Daramola, o já parceiro Papatinho, a artista colombiana Shakira, Janluska, Gabriel Duarte, Pepê Santos, Uiliam Pimenta, Raposo, Magary Lord, Samir Trindade, Paulo Bass, Iuri Rio Branco, Jon Leone, Mazarri, Richard Camacho, Robert Molina, Carlos Do Complexo, Los Brasileros e Marcelo Delamare. O trabalho de todos aqui são excepcionais, sem exceções.

Já é conhecido que Anitta gosta de causar um desconforto no conservadorismo e geralmente esta tática funciona. Certamente, este disco não será bem recebido pelas massas, mas sua riqueza cultural é maior do que todo o preconceito e qualquer contestação que há de ser imposta pelo moralismo que nos inunda nos dias de hoje.

“EQUILIBRIVM” possui 15 faixas que perduram numa escuta de 45 minutos e 3 segundos. Liricamente, o disco deixa de lado o palavreado explícito facilmente associado à ela. Ele existe, mas é mais contido por aqui.

O primeiro ato abraça a música brasileira navegando entre funk, samba, reggae e outros gêneros musicais acompanhados de produções excelentes e nada poluentes. Já o segundo ato, mira em músicas voltadas para o mercado internacional (que já o criticamos por aqui em outras ocasiões), mas que você não precisa descartá-las que até que encaixam positivamente no álbum, entretanto, esta crítica já foi feita, então não iremos corroborá-la.

O disco conta com as participações especiais de Marina Sena, Liniker, Luedji Luna, Melly, Ponto de Equilíbrio, Os Garotin, Rincon Sapiência, King Saintz, Ebony, Papatinho, Shakira, Los Brasileiros e Emanazul. Todas as colaborações soam coerentes e positivas por aqui, sem exceções.

Um ponto notável durante a escuta do disco é de que a voz de Anitta continua jogando de lado, sem evolução vocal, adição de ornamentos ou firulas que possam dar um brilho adicional. Entretanto, essa questão foi contornada por ela de maneira inteligente, já que as notas são curtas, simples e a dicção é perfeitamente entendível. Os arranjos riquíssimos e bem produzidos conseguem compensar a ausência de vocais mais preenchidos. Nos questionamos por qual motivo ela não tenta aprimorar esse aspecto, sendo fã da vocalista Mariah Carey, mas entendemos que às vezes entender suas limitações também é uma escolha inteligente.

O lirismo do álbum viaja sobre amor, espiritualidade e imposição de um poder energético que você pode sentir facilmente em faixas como “Ternura”, “Caso de Amor” e “Nanã”, essas que, por sinal, indicamos como escuta obrigatória.

Como consideração final, temos a sensação de que o primeiro ato é superior ao segundo ato, mas isso não deverá fazer com que você feche o aplicativo de seu streaming de música ao chegar no segundo ato que, pode sim, valer sua escuta.

Uma escuta obrigatória: Anitta abandona o imediatismo pop e encontra uma identidade surpreendentemente coesa. “EQUILIBRIVM” é a rara virada artística de uma popstar que parecia presa à própria fórmula.

NOTA:

Escute “EQUILIBRIVM” de Anitta aqui:

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