Review: “petal” de Ariana Grande

“petal” de Ariana Grande
Gênero: Pop / Shoegaze / Synth-pop / R&B
Gravadora: Republic Records
Data de lançamento: 31 de julho de 2026

Ariana Grande sempre cantou para ser ouvida. Desta vez, soa irregular. Em “petal”, ela canta para ser esquecida, e a mixagem atende ao pedido antes mesmo do último acorde.

Na última sexta-feira (31), Ariana Grande lançou seu oitavo álbum de estúdio intitulado “petal”, sucedendo “eternal sunshine” (2024).

Após 2 anos de seu último álbum, Grande retorna no meio da turnê “eternal sunshine tour” e com seu primeiro disco após a era de filmes da franquia do Mágico de Oz, “Wicked”.

Antes de “eternal sunshine”, a vocalista passou na audição para a adaptação do musical da Broadway de “Wicked” e havia muito receio sobre seu desempenho nas telonas. Bom, não vamos nos prolongar nesse assunto…

A dedicação aos dois filmes iniciou-se em 2021 e perdurou até o final de 2025, incluindo campanhas de promoção. Grande modulou sua voz para atender à demanda da personagem Galinda Upland que possuía uma voz operática e teatral. Vocalmente, seria apenas um ajuste, já que Grande é uma vocalista de altíssimo nível.

Os dois filmes somados foram um sucesso que juntos ultrapassaram a marca de US$ 1.2 bilhão em bilheteria, unindo ao fato de aclamação universal dos filmes e diversas indicações, incluindo o Oscar. 

Citamos a era Wicked para contextualizar como Ariana chegou até aqui com esse disco. Após o lançamento do primeiro filme, Grande sentiu a necessidade de ir ao estúdio com Max Martin para criar o que viria a ser num futuro próximo o álbum “eternal sunshine” (releia a review dele AQUI)

Em eternal sunshine, ela retratou o fim de seu casamento com o corretor de imóveis estadunidense Dalton Gomez e o relacionamento repentino após o divórcio com seu colega de elenco de Wicked, Ethan Slather.

Houveram diversos rumores acerca de traições e crise matrimonial entre o casal que não vale mencionar diretamente aqui (novamente, apenas contextualizando).

Desta vez, em petal, seguiremos outro caminho… ela optou por retratar sobre as críticas extremamente negativas que recebeu em relação ao seu corpo durante a press tour de Wicked e sobre reatar com seu ex-namorado Ricky Alvarez.

Sonoramente, fomos introduzidos ao disco por hate that i made you love me como carro-chefe da era e soa contido, polido e muito crítico à persona pop que alguns não conseguem se desvincular no emocional, como no trecho “odeio que eu fiz você me amar / desculpe se eu te fiz seu tipo”.

Junta-se a ela na criação do disco novamente Max Martin, Ilya Salmanzadeh e Davide Rossi. Diferente de seus outros discos, ele possui influência de um pop distorcido sintetizado com uma atmosfera obscura que pode soar tão experimental quanto seu 4º álbum de estúdio, Sweetener (2018).

petal possui 12 faixas com uma duração de 36 minutos. Com influência de shoegaze e synth-pop, Grande escolhe seguir um caminho confuso, sem energia, sem entusiasmo e sem conexão. Parece incerto se é a equipe de sempre de produção de Max Martin e derivados que deslizaram na confusão sonora.

Além de tudo, há um problema grave de mixagem que apaga completamente a já contida voz de uma das maiores vocalistas de sua geração, deixando um desastre completo no caminho.

O problema não é só técnico, mas também de identidade. Após as inúmeras críticas ao seu corpo durante a press tour de Wicked, é evidente que Grande não soube lidar bem com toda essa situação que de fato é estarrecedora e isso refletiu diretamente na criação desse disco. Problemas de mixagem, escolhas de produção, escolha de arranjos, escolha de elementos sonoros, tudo soa mal trabalhado e inconsistente. Liricamente, soa perdido, genérico e ambíguo, mesmo entendendo o que está acontecendo por fora já que tudo está explícito publicamente, tampando o Sol com a peneira.

Em entrevista à Apple Music, ela afirma que petal vem de um lugar de raiva extrema, mas há uma contradição: nada é direto, nem mesmo sua voz, que fica constantemente tentando se esconder atrás de um arranjo shoegaze que a apaga completamente. 

Diferente de seus outros discos de seu repertório que raramente você verá skips, aqui dificilmente você irá se conectar com as faixas ou pelo menos terá que se esforçar muito, muito mesmo. Há quem possa dizer que a pressa em construir esse disco é por cobrança dos fãs, mas será que este era o momento certo? Se fosse dado tempo para o processamento dos acontecimentos de sua carreira e vida pessoal, talvez teríamos um projeto mais polido e bem analisado sobre como sua mente absorveu e interpretou tudo aquilo. Soou como um improviso mal pensado.

O lirismo do disco evidencia uma crise de imagem de um ponto de vista vitimista e explícito que parece mais alguém que não consegue absorver críticas construtivas e as manipula pelas críticas nada construtivas as misturando como uma coisa só.

Faltou maturidade, especialmente em trechos como “eles dizem que os artistas precisam de lágrimas / para chorar novamente / eles dizem que os artistas precisam de lágrimas / para escrever de novo / porque todas as minhas histórias terminam em alguma catástrofe / mas eu não preciso que ninguém me salve / porque essa música e eu nunca vai morrer”, diz ela na faixa-título petal. Ainda em never get over me: “não vou deixar você esquecer como me sinto / venha se entregar a algo real / e você nunca vai me superar / e de alguma forma todo ex desaparece / a visão é clara / não, você nunca vai me superar”.

Como consideração final, sentimos que esse disco não veio num momento certo e deixou uma certa mancha numa discografia que havia lhe consolidado como uma das maiores vocalistas de sua geração e talvez até de todos os tempos.

Para desfrutá-lo, você precisará de esforço (e muito esforço).

Ariana Grande sempre cantou para ser ouvida. Desta vez, soa irregular. Em “petal”, ela canta para ser esquecida, e a mixagem atende ao pedido antes mesmo do último acorde.

NOTA:


Escute “petal” de Ariana Grande aqui:




Deixe um comentário