
Gênero: Pop/rock
Gravadora: Sony
Data de lançamento: 15 de setembro de 2008
Em 2008, o Skank trocou o excesso pela sutileza. “Estandarte” é um disco confortável demais para ser ignorado.
Na máquina do tempo desta análise/review, nos transportamos para 2008, no oitavo álbum de estúdio da banda belo-horizontina Skank. Conhecidos pelo som de rock suave e psicodélico, eles figuram aqui num disco que você pode não se ligar, mas ao escutá-lo, sentirá algo positivo.
O quarteto mineiro formado por Samuel Rosa, Henrique Portugal, Zaneti e Lelo avançam na tentativa de se desvencilhar do britpop de seus discos anteriores para poderem se reinventar. De The Beatles a Green Day, há algo familiar, mas autêntico.
“Estandarte” é um disco requintado, consistente e durante uma viagem curta, pode te acalmar até mesmo durante um engarrafamento na Rodovia BR-101. Definido como um pop/rock palatável e fácil de degustar, ele joga de forma segura.
Apesar de ser um disco de 2008, ele não soa datado ou genérico. O que pode entregar sua idade é o fade out ao final das faixas expondo as limitações (ou preguiça) da produção em construir uma linha melódica que pode ir a algum lugar ao se encerrar. Como o fade out é praticamente regra, você não terá a experiência de transições entre faixas nem interlúdios que tentam propor algo.
“Estandarte” possui 12 faixas com uma duração total de 53 minutos e 30 segundos. Bom, na era da compra física de discos, quanto maior a duração do disco, mais valia o dinheiro. Há momentos em que muito se estende e pouco se fala, como nas faixas “Para Raio” e “Saturação”.
Junta-se à produção do disco Dudu Marote, que, por sua vez, faz um trabalho qualitativo notável. À composição, temos a presença do próprio integrante da banda Samuel e o já conhecido artista Nando Reis. A intenção deles era de não reciclar seus discos anteriores, até porque na altura do oitavo álbum de estúdio, pode se tornar uma armadilha fácil de cair.
Liricamente, o disco é belo, descontraído e relacionável. O ponto mais alto é as já conhecidas “Sutilmente” e “Ainda Gosto Dela”, que certamente deviam ter sido escolhidas como single (o que foram). A segunda tem uma atmosfera leve, mas um tom muito reflexivo e triste, inclusive, adiciono que a voz de Samuel é o maior responsável por esta sensação, sem deixar de mencionar os improvisos e backing vocal da cantora Negra Li.
Diante de sintetizadores pop insistentes, eles cantam: “nem precisei revelar / sua foto não tirei / como tirei pra dançar / alguém que avistei / tempo atrás / eu não tenho mais o que fazer / não / e eu ainda gosto dela / mas ela já não gosta tanto assim / a porta ainda está aberta / mas da janela já não entra luz / e eu ainda penso nela / mas ela já não pensa mais em mim / em mim não”. Aqui, o lírico encaixa perfeitamente bem com o arranjo produzido e a postura vocal suave e de desabafo acrescenta para a exclamação do que está sendo dito.
“Sutilmente” é daquelas faixas que você certamente ainda já escutou e está escondida na sua playlist de músicas brasileiras que você irá cantar no bar da rodoviária de sua cidade. Sonoramente, você pode notar que destoa um pouco do disco, mas até a mudança aqui é agradável e pode passar despercebida. Liricamente, esta é ainda mais relacional.
Diante de um violão clássico, Rosa canta: “e quando eu estiver triste / simplesmente me abrace / e quando eu estiver louco / subitamente se afaste / e quando eu estiver fogo / suavemente se encaixe / e quando eu estiver bobo / sutilmente, é / mas quando eu estiver morto / suplico que não me mate, não / dentro de ti / dentro de ti / (…) / mesmo que o mundo acabe, enfim / dentro de tudo que cabe em ti / mesmo que o mundo acabe, enfim / dentro de tudo que cabe em ti”.
“Estandarte” é um disco que pode se misturar na sua biblioteca de músicas sem nenhum problema.
NOTA:

Escute “Estandarte” de Skank aqui:
